Setembro Amarelo: Porque essa não é uma fala sem sentido

O mês de setembro está chegando ao fim e com ele a campanha do Setembro Amarelo. Muito se falou sobre o suicídio.

Tivemos a oportunidade de falar sobre o tema, bem como, observamos muitos outros eventos acontecendo nas escolas, nas empresas, nas universidades, nas instituições.

Pouco a pouco o tabu começa a ser quebrado e nos damos conta sobre a importância de abrir espaços de comunicação como esses.

Porque essa não é uma fala sem sentido.

Pudemos perceber, em meio a tantas pessoas que participaram dos eventos, que uma parte da audiência vinha em busca de ajuda para si, por conta de suas próprias ideações suicidas.

E fica a pergunta repetida tantas vezes, como saber se alguém está em risco suicida.

Bem, a resposta pode ser dirigida à observação dos sinais, à melhora da capacidade de avaliação dos riscos, à aquisição da informação, ao incremento da capacidade de prevenção.

Porém, não é possível saber quais os pensamentos e sentimentos sobre o tema presentes em cada membro da audiência. Assim como, tantas vezes as ideações e os comportamentos suicidas são recebidos com perplexidade pela família, pelos amigos, pelo círculo social de alguém.

Como então prevenir?

Tudo começa pelo diálogo

Tudo começa pelo diálogo…

Acreditamos que tudo começa pelo diálogo, pela possibilidade de poder falar abertamente sobre seu sofrimento e, sobretudo, uma fala destinada a receber uma escuta atenta e consciente.

Somos humanos e a humanidade se realiza no cuidado, em relação a si e ao outro.

Acolher o sofrimento e dar-lhe livre expressão, conectar-se com o outro e oferecer-lhe apoio, saber a quem pedir mais ajuda se for necessário, são caminhos que só se tornam possíveis através do diálogo franco e aberto.

O ser humano se protege e protege ao outro no seu dia-a-dia através da relação de cuidado e essa proteção se faz nos diferentes níveis de nossa atuação no mundo.

Desde a esfera individual, no que se refere ao acesso a uma alimentação equilibrada, bom sono, vida saudável, meios adequados de sobrevivência, bem como, condições de vida que reforcem a autoconfiança, a autoestima, a capacidade de autogestão física e emocional.

O apoio familiar é importante não apenas no Setembro Amarelo

O apoio familiar é importante não apenas no Setembro Amarelo

Passando ainda pelo apoio familiar, de amigos e de outros relacionamentos significativos que representem suporte e parceria para se lidar com as questões do cotidiano.

Envolve ter boas relações com amigos e colegas no ambiente escolar, acadêmico, profissional, social, ampliando os horizontes e fortalecendo a autonomia e a estrutura pessoal a partir do convívio em sociedade.

Requer o acesso à cultura, à apropriação da arte, do lazer, do esporte, das crenças e religiões, das manifestações sociais em um círculo ainda maior, criando-se o engajamento com a comunidade em que se vive e alianças coesas com as questões do mundo à sua volta.

Enfim, envolve o sentimento de pertença a uma família, uma escola, uma comunidade, ao mundo de forma geral, a partir de uma relação na qual o cuidado se estabelece pelo dar e receber, pelo acolhimento e pelo compromisso.

Isto gera a sensação de pertencer, participar, não estar só ou ser inadequado, desadaptado, dispensável, mas ao contrário, sentir-se útil, capaz e reconhecido nos papéis sociais que vier a desempenhar…

…criando relações de significado para seu mundo e razão para viver.

Nos dá a condição de permanecermos ligados à existência por laços suficientemente fortes que nos liguem ao outro, ao mundo e que criem estratégias de vida para que essa relação seja gestada e mantida com base na relação positiva do cuidado, mesmo quando o mundo parecer adverso e desolador.

Sobretudo, quando a campanha termina, que possamos levar tal resolução para o dia-a-dia, tendo a irradiação do amarelo como inspiração permanente para as áreas importantes da vida, durante todos os meses do ano.


Este conteúdo foi produzido pela psicóloga Sandra Regina Vozeniak dos Santos (CRP-08/16261), da Clínica Essência, em parceria com a AngioLife.

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